ela Olha as árvores, as folhas, as calçadas, as janelas, as pessoas a Cidade.E Olha de novo. Não desiste de olhar, do olhar. Ouvem-se as gaivotas na cidade desde ontem. Trazem-me de volta à vida que imagino ter deixado entre afazeres, obrigações ou outras cobardias.O som das gaivotas no céu branco é a única prova, para já,de que há uma vida verdadeira para lá desta onde respiro a custo.
a tinta, fresca ou nao, pode servir para colorir todos os muros da cidade, do suburbio, clandestina poe a prova mecanismos securitarios disfarcados de liberdade para acabar de vez com ela a_tinta@hotmail.com
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segunda-feira, dezembro 17, 2012
sábado, março 05, 2011
As árvores têm de ser centenárias, ou caminhar para lá. Frondosas. Tem de ser uma floresta o que nos espera. A cidade, aqui, serve-nos de preparativo. Reunimos mantimentos, coragem e tempo perdido. Tem passado tão rápido que este ano houve andornhas que não regressaram não chegaram a partir.
domingo, julho 05, 2009
Julho com pássaros
Os pássaros estão sempre connosco, também. Dentro das muralhas, no topo da torre e lá fora, à volta do castelo. Saio, fecho os olhos, sinto pela frescura do vento e pelo calor na pele que o sol está alto. O céu está alto também, há muito espaço entre nós e ele. Azul, claro, luminoso sem ferir como acontece depois em Agosto. Contra o espelho de calcário dessa altura as nossas pupilas nada podem.
Mas, agora, o silêncio. A cidade está feita de silêncio. Redondo, alto como o sol deste domingo. O domingo mais silencioso e azul da época. Amanhã as rotinas põem-se em marcha, como roldanas, mas hão-de estar mais soltas porque já um terço da população se exilou para destino balneares.
Os mistérios de Lisboa ficam mais à vista.
quarta-feira, novembro 19, 2008
O sol dourado
Ela escreveu cartas. No quarto murado de um castelo sobre a colina da outra margem. Eram montes na outra margem, três. Longos, como se o corpo de um deus ali caído tivesse deixado o relevo para essoutra margem do nosso rio. As cartas chegaram, algumas, outras ainda as tem o vento que este rio é aqui, não nos podemos esquecer, como um mar. Por isso esta cidade livre. Quem havia de supor que caminhos dourados me esperavam a Oriente.
sexta-feira, julho 20, 2007
Fizemo-nos inquietos, sim, talvez irremediavelmente. Será tarde para encontrar uma casa? Será tarde para pertencer à cidade? Nela também se agitaram as árvores naqueles dias de ventania. Sabemos porque veio o vento, foi para não deixar nada no lugar.
sábado, junho 09, 2007
Vou sair. Ter com Santo António. Não é que queira casar mas encontrar um milagre que resulte por estes dias.A minha pele está fora de sítio. Sinto-a, desconfortável, despegada aqui e ali, as comichões.A luz começa a ficar abrupta e impiedosa a partir desta altura. Por isso a cidade se esvazia. Aos poucos.
Boris já nao bebe a cerveja checa, o dinheiro mal dá para as portuguesas. Está a tentar escolher ou perceber se a vida é odisseia ou peregrinação.
domingo, maio 20, 2007
O calor anuncia promessas em baixo de cada pedra da calçada
domingo, maio 13, 2007
O rio ficou longe e o mar também apesar de o sabermos lá. Agora são as colinas e os vales gentis entre elas que nos enchem o cabelo de vento. Também há orquídeas entre o seu sorriso. Não serão suficientes as flores todas nesta Primavera.
terça-feira, janeiro 30, 2007
Era ruínas e não despojos o que sentia por baixo dos pés. Aquilo que em muitos dias numa cidade como a nossa nos faz esmorecer. É por isso que temos de ir aos sítios por onde passaram menos seres humanos antes de nós. Por isso é que temos de ir até ao mar. Para fugirmos ao peso deste passado espalhado por onde quer que andemos.
Continuarei a descer e subir ruas. Por agora.
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