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quinta-feira, novembro 22, 2007

Aproximadamente um ano a esta parte encontrei S. na beira do rio. Hoje, a esta distância e neste lugar julgo que adoeci por ter abandonado, não por querer mas porque a vida me desobrigou, com a garganta seca aquele lugar, onde ainda veio a balouçar um sorriso teu. Ficou preso à margem, sem conseguir que eu o desamarrasse. Vogando sobre as ondas quase inanimadas, no mesmo lugar. É aí que o encontro, faz-me lembrar o primeiro e um poema do O`Neill.
Aqui podíamos entregar-nos a toda a sorte de pensamentos. A melancolia era permitida, incentivada, reconfortante. Não havia gente a fingir-se feliz e isso, só por si, já era uma enorme felicidade.
Havia o receio de que os rigores do Inverno pudessem isolar a montanha e deixar-nos com menos mantimentos ainda do que a quantidade parca que nos anunciava desde o Verão o agudizar da crise. De qualquer forma tirando um ou outro a tranquilidade do hospital era inquebrável como se um grande urso fizesse os preparativos para o magnífico sono
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quinta-feira, março 01, 2007

1º dia de Março

As solas de borracha de boa qualidade foram bem gastas pela cidade. Não voltei a subir e descer ruas. Mas cruzei bastantes. E não há nada como percorrer uma cidade inteira pelos atalhos mais rápidos. Não te encontro. E à medida que o tempo aumenta aumenta com ele a probabilidade de não nos procurarmos, de deixarmos de querer encontrar. Mas ao contrário do que a passagem do tempo faria prever as linhas do teu rosto mantêm-se claras e definidas.

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Subo e desço as ruas à procura do teu rosto.
Não estás muito longe ainda assim confiar nas hipóteses do destino já me pareceu melhor destino. Esta cidade está tão cheia de passado que sufoco por baixo dos seus séculos e milénios. A estratigrafia bem que podia desaparecer nalguns dias. O nascer do sol ignonar todos os velhos e velhas assomando às janelas tristes e belas. Que poderemos criar entre estes vestígios estes despojos?

sexta-feira, janeiro 12, 2007

o fio da meada

meu amor, deixei de ir até ao rio e à linha do comboio. Como encontrar novamente o caminho ?

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Solestício

Assim que os dias ficaram mais claros e que voltou a luz conhecida à cidade começámos a descer até junto ao rio. A ouvir a sirene dos navios. Encontrámos um rosto que ficou sem nome por algum tempo. Esse tempo ainda foi o melhor. Agora que há um nome o frio torna-se menos suportável. Os ponteiros do relógio jogam na equipa adversária.