a tinta, fresca ou nao, pode servir para colorir todos os muros da cidade, do suburbio, clandestina poe a prova mecanismos securitarios disfarcados de liberdade para acabar de vez com ela a_tinta@hotmail.com
terça-feira, outubro 13, 2015
Se o tempo e o corpo nos encurralarem. Se os dias nos cobrirem de poeira, muito mais que dos espaços em branco com que sonhámos numa juventude que teimamos em convocar. Que os gestos valham, como a flor. Que possas ser visitada pela alegria. Sempre. E dessas visitas rejubilem os meus olhos. Pressentindo-te. Firme presença. Contra a aridez, do mundo,dos outros, da nossa.
quinta-feira, abril 23, 2015
quinta-feira, novembro 27, 2014
Saudade doce sem glicose
Ainda bem que há árvores lá em baixo para que a chuva que cai desesperada tenha o som de uma conversa.
segunda-feira, outubro 13, 2014
quarta-feira, outubro 08, 2014
segunda-feira, março 31, 2014
o amor é perene a perda também
A Rainha quer levar-nos a passear. E sabemos que vai levar-nos para o fundo do lago, onde morreu narciso. Eu preferia sem palavras e preferia não ter razão. Na frente de batalha rebentam obuses, deixamos de ouvir. Uma das guerras é abandonar o poder. Os narcisos são belos ao longe, tu sabes.
terça-feira, março 04, 2014
notícias da frente ocidental
A sua vaidade deixou-me só na frente de batalha para onde fomos destacados. E não sabes nem espero que saibas o que é a frente de batalha. A solidão no meio dela é pior do que ela própria. Por isso a sua vaidade é mais cruel que mortífera. Envelhece-nos e atira-nos para a morte, muito mais do que a guerra, muito mais do que o tempo.
segunda-feira, dezembro 30, 2013
O céu está limpo. Daqui vêm-se as estrelas. Isso é o mais verdadeiro que podemos dizer do tempo e de como viemos dele para aqui. Cumpriram-se todas as estações entre nós e nenhum novo círculo poderá entregar-nos uma resposta melhor. Que fazer então quando as palavras ainda existem mas o caminho para elas é tortuoso, ínvio e atravancado por obstáculos com que não contamos? O quotidiano, tempo curto e voraz, é o maior. O outro é a pele que envelhece ou perde o brilho nas batalhas que travamos sem as termos escolhido. Esse é um outro tempo, o dos corpos. É neles, como no céu limpo desta noite, que há verdade.
sexta-feira, setembro 20, 2013
O tempo voltou a fugir-me e nada existe à vista que o deixe colar as suas memórias. Aqui. O seu lastro. Uma qualquer tessitura que me devolva os dias inteiros do astro alto ou estes de Setembro. Nem sempre sigo o teu pensamento, muitas vezes não a acompanho. Mas amo-a e à forma como o faz. Com um peito limpo.
sábado, junho 22, 2013
A noite passada as nuvens corriam velozes deixando chegar em intervalos rápidos a luz preciosa da lua, breves momentos quando a luz da cidade a deixa chegar. Esta aldeia dentro da cidade mas mesmo assim cheia de lâmpadas e comboios e aviões, por mais que cresçam as ervas por entre os calcários da nossa calçada o silêncio nunca é suficiente. Nem é o silêncio mas o rumor das folhas de uma árvore, a sua sombra dançando cá em baixo. Ao pé dos nossos pés, nús. Por mais que nos recolhamos aos jardins e que a cidade acorde quieta e sossegada, sente-se ou adivinha-se a presença de milhares de pessoas, adivinha-se a sua errância, pressente-se a sua violência, à espera como um gato ou irrompendo como mosquitos esfomeados. E depois somos nós, esses mosquitos, inquietos, sem sede nenhuma. Errando também, sonhando com a montanha ou com cidades em chamas.
À conta do fogo entrevi uma história que podia explicar-nos. A teogonia que nos explicava como seres eternos incarnando aqui e ali os mesmos tipos ou caracteres. Reproduzindo sempre em sucessivas e numerosas gerações os mesmos vinte ou trinta deuses que discutem, desde o princípio dos tempos, quem e para quem esta batalha. O mesmo deus ou espírito ocupa-se de ti e de mim e assim, por erros de cálculo temporal e espacial, cruzamos a nossa existência e sem homens duplicados nem duplas vidas de v, entendemos as paralelas e tangentes que desenham esta geometria difícil e pegajosa.
Subscrever:
Mensagens (Atom)