a tinta, fresca ou nao, pode servir para colorir todos os muros da cidade, do suburbio, clandestina poe a prova mecanismos securitarios disfarcados de liberdade para acabar de vez com ela a_tinta@hotmail.com
domingo, novembro 20, 2005
Fim
Não parou de chover. Desde há 10 anos. Quando chove assim é a sério. Não há nada que se suspenda, acontece.
sexta-feira, novembro 11, 2005
do desamor
Ambos lutavam contra o seu destino. Ele, tinha construído durante toda a juventude um tese sobre o Bem e convencia-se, a ele e aos outros, que pô-la em prática era o seu lema diário. Ela, queria convencer-se a não ser a queca intermédia, de consolação, a não ser a amante de alguém, queria apaixonar-se, queria convencer-se de que era outra, com uma auto-estima aceitável. Ambos lutavam contra o seu destino.
Irremediavelmente.
Se ele não andasse a construir patranhas sobre a moral e o bem talvez pudesse não abusar da falta de amor próprio da rapariga. Se ela recuperasse algum desse amor talvez conseguisse que ele se apaixonasse por si.
Tanto por acontecer num subúrbio próximo de si.
Irremediavelmente.
Se ele não andasse a construir patranhas sobre a moral e o bem talvez pudesse não abusar da falta de amor próprio da rapariga. Se ela recuperasse algum desse amor talvez conseguisse que ele se apaixonasse por si.
Tanto por acontecer num subúrbio próximo de si.
segunda-feira, outubro 03, 2005
não nos precipitemos
Os Castros chegaram com as camionetas cheias de fios, cabos e as lâmpadas. Hoje vi uma senhora a vender castanhas. As lojas dos trezentos ou do preço certo têm as montras cheias de roupas de pai-natal e bolas para a árvore. Há um calor luminoso em Lisboa e isto deve confundir as composições de português dos meninos na escola.
terça-feira, agosto 30, 2005
do amor
O amor devia fazer-nos pessoas melhores e devia aproximar-nos da nossa verdade, estarmos mais próximos de nós, de quem somos. Disse-lhe isto em Bloomsbury Street, ele sorriu acatando, disse-me adeus e que não andasse de metro nos próximos tempos.
sexta-feira, julho 29, 2005
never ending story
uma torneira avariada, depois uma fuga de gás, depois o pedreiro, o mijo do cão do vizinho nos sítios inesperados, depois marcar as análises, as ecografias, tentar aquela especialidade médica, esperar em listas de espera, nova torneira avariada, uma invasão de formigas, entregar papéis em repartições, ir buscar papéis a repartições, ter de chatear pessoas em repartições, passar as mãos por água fria quando está calor. E se estes gestos, se moralizados, fossem uma cavalgada da vida contra a morte?
sexta-feira, julho 15, 2005
E disse-me peça tudo a Jesus que ele dá
quinta-feira, julho 07, 2005
Esse viajante, tal como o outro, menos mundano e mais espantado, os dois patrícios, podiam ser Boris, a personagem mais carnal por onde quis dizer poesia. Queria mesmo era obrigar Boris a vivê-la. Deixei-o encostado a uma janela qualquer a fumar e a dar tragos pequenos numa cerveja checa muito popular nos states. Ainda aí está, aí o abandonei.
quinta-feira, junho 30, 2005
Se numa noite de Junho
Invejava-lhe aquela liberdade. A dos viajantes. Poder estar aqui, além ou noutro lado, comprar um caderno como um quilo de fruta, escolher todos os dias o percurso numa cidade, uma esplanada, um bilhete de autocarro ou de avião. Invejava-lhe até perceber que quando aqui chegasse viria com pés tão ligeiros que mal notaríamos a sua, ainda que doce, presença.
terça-feira, junho 07, 2005
madrugada
É difícil encontrar horas quietas. Em que nem as folhas das árvores se agitem apesar de um sopro ligeiro vir bater-me no rosto. Nessas horas é possível ludibriar o tempo, ou a ilusão dele, e ficar inteiramente no aqui, no presente.
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