terça-feira, dezembro 29, 2015

Boris escreveu. Diz que mais um Natal e não comprou as botas. Pergunta-me se te encontrei e nos beijámos e como foi. Digo-lhe que nem saberíamos reconhecer-nos caso nos cruzássemos na cidade e que será por isso que penso em ti tantas vezes. Assim será difícil alguém tomar o seu lugar, diz-me Boris, avisando-me que escolhi a condenação como um Orestes.

terça-feira, outubro 13, 2015

Se o tempo e o corpo nos encurralarem. Se os dias nos cobrirem de poeira, muito mais que dos espaços em branco com que sonhámos numa juventude que teimamos em convocar. Que os gestos valham, como a flor. Que possas ser visitada pela alegria. Sempre. E dessas visitas rejubilem os meus olhos. Pressentindo-te. Firme presença.  Contra a aridez, do mundo,dos outros, da nossa.

quinta-feira, abril 23, 2015

Quando a gasolina estiver mais barata amor, saímos da cidade e vamos até ao Guincho, ou mais à frente, ao cabo, ver o mar. Não sabia que havia tantos loucos. Tantos.

quinta-feira, novembro 27, 2014

Saudade doce sem glicose

Ainda bem que há árvores lá em baixo para que a chuva que cai desesperada tenha o som de uma conversa.

segunda-feira, março 31, 2014

o amor é perene a perda também

A Rainha quer levar-nos a passear. E sabemos que vai levar-nos para o fundo do lago, onde morreu narciso. Eu preferia sem palavras e preferia não ter razão. Na frente de batalha rebentam obuses, deixamos de ouvir. Uma das guerras é abandonar o poder. Os narcisos são belos ao longe, tu sabes.

terça-feira, março 04, 2014

notícias da frente ocidental

A sua vaidade deixou-me só na frente de batalha para onde fomos destacados. E não sabes nem espero que saibas o que é a frente de batalha. A solidão no meio dela é pior do que ela própria. Por isso a sua vaidade é mais cruel que mortífera. Envelhece-nos e atira-nos para a morte, muito mais do que a guerra, muito mais do que o tempo.

segunda-feira, dezembro 30, 2013

O céu está limpo. Daqui vêm-se as estrelas. Isso é o mais verdadeiro que podemos dizer do tempo e de como viemos dele para aqui. Cumpriram-se todas as estações entre nós e nenhum novo círculo poderá entregar-nos uma resposta melhor. Que fazer então quando as palavras ainda existem mas o caminho para elas é tortuoso, ínvio e atravancado por obstáculos com que não contamos? O quotidiano, tempo curto e voraz, é o maior. O outro é a pele que envelhece ou perde o brilho nas batalhas que travamos sem as termos escolhido. Esse é um outro tempo, o dos corpos. É neles, como no céu limpo desta noite, que há verdade. 

sexta-feira, setembro 20, 2013

O tempo voltou a fugir-me e nada existe à vista que o deixe colar as suas memórias. Aqui. O seu lastro. Uma qualquer tessitura que me devolva os dias inteiros do astro alto ou estes de Setembro. Nem sempre sigo o teu pensamento, muitas vezes não a acompanho. Mas amo-a e à forma como o faz. Com um peito limpo.