A cidade está coberta de pobres e de flores também. São discretas nas pequenas árvores. Vejo-as, como todas as palavras ou signos, como a luz cinza deste inverno, vejo-as e é uma cidade diferente. Ou porque cheguei de novo a uma das muitas cidades dentro dela ou porque estás em quase todos os meus caminhos. E por isso aquele amontoar de nuvens naquela direcção, por cima daquela árvore e através daquele pedaço de janela, não é o mesmo amontoar de nuvens que nos devolve a escala de nós mesmos, perdida se caminharmos só por pedras da calçada. O amontoar daquelas nuvens naquele pedaço de céu que não premeditámos ver, mas que se colocou ali onde o olhar súbito apontou, inquieta-nos. Como se o movimento pesado deste corpo de nuvens brancas e cinzentas pudesse anunciar um drama maior. Podemos ver as flores, podemos ver os pobres.
a tinta, fresca ou nao, pode servir para colorir todos os muros da cidade, do suburbio, clandestina poe a prova mecanismos securitarios disfarcados de liberdade para acabar de vez com ela a_tinta@hotmail.com
segunda-feira, março 18, 2013
quarta-feira, março 06, 2013
Talvez a chuva e o vento não tenham deixado o presente chegar. Mas sobrevivemos a temporais antes. Continuo a pensar na montanha, menos, a cidade nunca nos desocupa. Mesmo com sinos a dar-nos algumas horas do dia. Demoliram uma casa com cerca de 150 anos ao pé de nós. Em duas semanas. Quantas gerações cabem em 150 anos? Hoje retiraram um cadáver de alguém com perto de 90 anos de uma casa, o aparato na avenida foi tão grande que a morte solitária acabou por dar tanto nas vistas.
domingo, março 03, 2013
Flor do inverno
Tens de caminhar, ao anoitecer, junto ao muro do jardim da marquês sá da bandeira a chegar a marquês da fronteira. Tem de ser por estes dias. Tudo o mais pode esperar. Se ela caminhar junto ao muro do jardim, ao anoitecer, por estes dias, não preciso de esperar pela Primavera. Não consigo deixar-te as camélias que tenho aqui. E sei que precisas, das prendas das flores apesar de estares a ir embora de todos os lugares onde imagino, ou não, ver-te.
terça-feira, fevereiro 26, 2013
Esta noite há luar
Não a vi mas não era um jardim e é da minha janela que vejo as estrelas no céu da cidade.
quinta-feira, fevereiro 14, 2013
Quero vê-la. Num jardim, pode ser num jardim. Não vou apanhar flores para lhe dar, talvez bolotas. Sementes de uma árvore que tenham vindo até nós. Hoje estive de volta das sementes. A promessa de lhes decobrir os segredos é o antídoto para o tempo que fica perdido na força para ganhar o dia. Os diques nunca estão prontos, os trabalhos e os dias são infindos para que a Casa fique a salvo. O que nos salva são os pássaros, acordou-me o coração depois daqueles dias de tempestade ouvi-los de novo. Eles sabem que lhes pertenço. Que vidas anteriores guardas de onde saem tantas palavras? Saberá ela que o desejo mata e é preciso estar guarnecido para não sucumbir a essa morte, interrogação. Sabe sim mas está mais no presente do que eu. Lemos outro dia uma citação de quem não sei, que a alegria é uma conquista.
Esta flor não era nova, estava no seu ocaso como o ano prestes a terminar quando a vi. Este dia também, com cheiro fresco de mar dentro e sem a tua pele. Há um sem que se avoluma.
sexta-feira, fevereiro 08, 2013
quarta-feira, janeiro 30, 2013
Do que eu gosto é da tua alegria
Meu conforto dos dias. Sem o romantismo deste inglês que também escreveu para uma mulher assim.
Ela era um Espírito da Alegria
Quando a vi no primeiro dia;
Bela Aparição brilhante
Enviada ao encanto do instante;
Seus olhos, como o Crepúsculo sereno;
Como o Crepúsculo, seu cabelo moreno;
E tudo mais que a envolvia
À Aurora e à Primavera pertencia;
Forma dançante, imagem a alegrar?
A surpreender, assolar e assombrar.
Olhei-a de perto, lá estava ela,
Um Espírito, mas também uma Donzela!
Seu movimento leve, solto e frugal,
E passos da liberdade virginal;
No semblante se encontraram as nuanças
Das doces promessas e doces lembranças;
Criatura nem brilhante ou boa demais
Para os afazeres cotidianos e normais,
Ou a sofrer passageiro e simples desejos,
Louvor, culpa, amor, lágrimas, sorrisos e beijos.
Com os olhos tranquilos posso contemplar
Desta máquina o verdadeiro pulsar;
Um ser que, pensativo, respira forte;
Um Viajante, em meio à vida e à morte;
A razão firme, a vontade temperada,
Uma perfeita Mulher soberbamente forjada;
Paciência, visão, habilidade e poder,
Para alertar, confortar e reger;
E ainda um Espírito com fulgor magistral,
Com algo da luz angelical.
William Wordsworth
Ela era um Espírito da Alegria
Quando a vi no primeiro dia;
Bela Aparição brilhante
Enviada ao encanto do instante;
Seus olhos, como o Crepúsculo sereno;
Como o Crepúsculo, seu cabelo moreno;
E tudo mais que a envolvia
À Aurora e à Primavera pertencia;
Forma dançante, imagem a alegrar?
A surpreender, assolar e assombrar.
Olhei-a de perto, lá estava ela,
Um Espírito, mas também uma Donzela!
Seu movimento leve, solto e frugal,
E passos da liberdade virginal;
No semblante se encontraram as nuanças
Das doces promessas e doces lembranças;
Criatura nem brilhante ou boa demais
Para os afazeres cotidianos e normais,
Ou a sofrer passageiro e simples desejos,
Louvor, culpa, amor, lágrimas, sorrisos e beijos.
Com os olhos tranquilos posso contemplar
Desta máquina o verdadeiro pulsar;
Um ser que, pensativo, respira forte;
Um Viajante, em meio à vida e à morte;
A razão firme, a vontade temperada,
Uma perfeita Mulher soberbamente forjada;
Paciência, visão, habilidade e poder,
Para alertar, confortar e reger;
E ainda um Espírito com fulgor magistral,
Com algo da luz angelical.
William Wordsworth
terça-feira, janeiro 15, 2013
sexta-feira, dezembro 21, 2012
ver a dois tempos
E quanto mais ela olha, as flores também, mais eu cubro com as mãos o rosto, com as mãos os olhos, fecho-os e reabro-os logo depois reerguendo a cabeça, como se emergisse à tona da água. Sabes, para me proteger do excesso de sentido -Llansol - tive de diluir a memória e o tempo, como as papas cerelac, mais ralas, menos densas. E agora, as tuas palabras, obrigam-me a concentrá-lo, o tempo, a espessá-lo como as papas. E seguro-o nas mãos como de uma granada se tratasse.
segunda-feira, dezembro 17, 2012
ela Olha as árvores, as folhas, as calçadas, as janelas, as pessoas a Cidade.E Olha de novo. Não desiste de olhar, do olhar. Ouvem-se as gaivotas na cidade desde ontem. Trazem-me de volta à vida que imagino ter deixado entre afazeres, obrigações ou outras cobardias.O som das gaivotas no céu branco é a única prova, para já,de que há uma vida verdadeira para lá desta onde respiro a custo.
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