domingo, março 03, 2013

Flor do inverno

Tens de caminhar, ao anoitecer, junto ao muro do jardim da marquês sá da bandeira a chegar a marquês da fronteira. Tem de ser por estes dias. Tudo o mais pode esperar. Se ela caminhar junto ao muro do jardim, ao anoitecer, por estes dias, não preciso de esperar pela Primavera. Não consigo deixar-te as camélias que tenho aqui. E sei que precisas, das prendas das flores apesar de estares a ir embora de todos os lugares onde imagino, ou não, ver-te.

terça-feira, fevereiro 26, 2013

quinta-feira, fevereiro 14, 2013


Quero vê-la. Num jardim, pode ser num jardim. Não vou apanhar flores para lhe dar, talvez bolotas. Sementes de uma árvore que tenham vindo até nós. Hoje estive de volta das sementes. A promessa de lhes decobrir os segredos é o antídoto para o tempo que fica perdido na força para ganhar o dia. Os diques nunca estão prontos, os trabalhos e os dias são infindos para que a Casa fique a salvo. O que nos salva são os pássaros, acordou-me o coração depois daqueles dias de tempestade ouvi-los de novo. Eles sabem que lhes pertenço. Que vidas anteriores guardas de onde saem tantas palavras? Saberá ela que o desejo mata e é preciso estar guarnecido para não sucumbir a essa morte, interrogação. Sabe sim mas está mais no presente do que eu. Lemos outro dia uma citação de quem não sei, que a alegria é uma conquista.
 Esta flor não era nova, estava no seu ocaso como o ano prestes a terminar quando a vi. Este dia também, com cheiro fresco de mar dentro e sem a tua pele. Há um sem que se avoluma.

quarta-feira, janeiro 30, 2013

Do que eu gosto é da tua alegria

Meu conforto dos dias. Sem o romantismo deste inglês que também escreveu para uma mulher assim.


Ela era um Espírito da Alegria

Quando a vi no primeiro dia;
Bela Aparição brilhante
Enviada ao encanto do instante;
Seus olhos, como o Crepúsculo sereno;
Como o Crepúsculo, seu cabelo moreno;
E tudo mais que a envolvia
À Aurora e à Primavera pertencia;
Forma dançante, imagem a alegrar?
A surpreender, assolar e assombrar.

Olhei-a de perto, lá estava ela,
Um Espírito, mas também uma Donzela!
Seu movimento leve, solto e frugal,
E passos da liberdade virginal;
No semblante se encontraram as nuanças
Das doces promessas e doces lembranças;
Criatura nem brilhante ou boa demais
Para os afazeres cotidianos e normais,
Ou a sofrer passageiro e simples desejos,
Louvor, culpa, amor, lágrimas, sorrisos e beijos.

Com os olhos tranquilos posso contemplar
Desta máquina o verdadeiro pulsar;
Um ser que, pensativo, respira forte;
Um Viajante, em meio à vida e à morte;
A razão firme, a vontade temperada,
Uma perfeita Mulher soberbamente forjada;
Paciência, visão, habilidade e poder,
Para alertar, confortar e reger;
E ainda um Espírito com fulgor magistral,
Com algo da luz angelical.

William Wordsworth

terça-feira, janeiro 15, 2013

Onde encontrar, onde procurar, a explicação para a coincidência do pensamento. Às vezes no mesmo dia. Dos mais gerais aos mais concretos. Se calhar devia avisar-te disso e não deixar cair no cartesianismo mais uma prova do inexplicável.

sexta-feira, dezembro 21, 2012

ver a dois tempos

E quanto mais ela olha, as flores também, mais eu cubro com as mãos o rosto, com as mãos os olhos, fecho-os e reabro-os logo depois reerguendo a cabeça, como se emergisse à tona da água. Sabes, para me proteger do excesso de sentido -Llansol - tive de diluir a memória e o tempo, como as papas cerelac, mais ralas, menos densas. E agora, as tuas palabras, obrigam-me a concentrá-lo, o tempo, a espessá-lo como as papas. E seguro-o nas mãos como de uma granada se tratasse.

segunda-feira, dezembro 17, 2012

ela Olha as árvores, as folhas, as calçadas, as janelas, as pessoas a Cidade.E Olha de novo. Não desiste de olhar, do olhar. Ouvem-se as gaivotas na cidade desde ontem. Trazem-me de volta à vida que imagino ter deixado entre afazeres, obrigações ou outras cobardias.O som das gaivotas no céu branco é a única prova, para já,de que há uma vida verdadeira para lá desta onde respiro a custo.

sexta-feira, outubro 26, 2012

Como se me tivessem arrancado uma parte, um bocado. Sem saber qual exactamente e se volta a crescer essa parte não exacta que falta sabemos, para já, não serem atalhos as vias que escolhemos nem vias sacras tampouco. Mas choraremos sempre o fim das estações e a morte dos poetas.

quinta-feira, julho 05, 2012

Entretemo-nos a imaginar o que a terra podia dar, as cartas que podiamos receber. Enganamos o tempo, mesmo que o sintamos aprazível. Insistimos com a água sobre a terra, alegramo-nos com o pequena flor mesmo sem fruto. Conseguimos em alguns momentos construir a casa ideal onde há açúcar branco, amarelo e até em pó. Conseguimos imaginar o tempo em que ele tenha um uso e as crianças pintem livros de receitas antigos. Imaginamos, imaginamos, porque sabemos que as crianças vão crescer mais rápido que os bolos ou os livros que conseguirmos ler e fazer. 
A melancolia agreste que nos pende de todos os movimentos não é um ponto de vista, a forma como entreolhamos o céu através das folhas das árvores. Ela é o que está no copo para bebermos. E a sede é infinita.