terça-feira, janeiro 15, 2013

Onde encontrar, onde procurar, a explicação para a coincidência do pensamento. Às vezes no mesmo dia. Dos mais gerais aos mais concretos. Se calhar devia avisar-te disso e não deixar cair no cartesianismo mais uma prova do inexplicável.

sexta-feira, dezembro 21, 2012

ver a dois tempos

E quanto mais ela olha, as flores também, mais eu cubro com as mãos o rosto, com as mãos os olhos, fecho-os e reabro-os logo depois reerguendo a cabeça, como se emergisse à tona da água. Sabes, para me proteger do excesso de sentido -Llansol - tive de diluir a memória e o tempo, como as papas cerelac, mais ralas, menos densas. E agora, as tuas palabras, obrigam-me a concentrá-lo, o tempo, a espessá-lo como as papas. E seguro-o nas mãos como de uma granada se tratasse.

segunda-feira, dezembro 17, 2012

ela Olha as árvores, as folhas, as calçadas, as janelas, as pessoas a Cidade.E Olha de novo. Não desiste de olhar, do olhar. Ouvem-se as gaivotas na cidade desde ontem. Trazem-me de volta à vida que imagino ter deixado entre afazeres, obrigações ou outras cobardias.O som das gaivotas no céu branco é a única prova, para já,de que há uma vida verdadeira para lá desta onde respiro a custo.

sexta-feira, outubro 26, 2012

Como se me tivessem arrancado uma parte, um bocado. Sem saber qual exactamente e se volta a crescer essa parte não exacta que falta sabemos, para já, não serem atalhos as vias que escolhemos nem vias sacras tampouco. Mas choraremos sempre o fim das estações e a morte dos poetas.

quinta-feira, julho 05, 2012

Entretemo-nos a imaginar o que a terra podia dar, as cartas que podiamos receber. Enganamos o tempo, mesmo que o sintamos aprazível. Insistimos com a água sobre a terra, alegramo-nos com o pequena flor mesmo sem fruto. Conseguimos em alguns momentos construir a casa ideal onde há açúcar branco, amarelo e até em pó. Conseguimos imaginar o tempo em que ele tenha um uso e as crianças pintem livros de receitas antigos. Imaginamos, imaginamos, porque sabemos que as crianças vão crescer mais rápido que os bolos ou os livros que conseguirmos ler e fazer. 
A melancolia agreste que nos pende de todos os movimentos não é um ponto de vista, a forma como entreolhamos o céu através das folhas das árvores. Ela é o que está no copo para bebermos. E a sede é infinita.

quinta-feira, junho 14, 2012

A inércia tem um peso considerável. Uma pessoa deita-se para descansar um pouco e quando acorda passaram 30 anos.

sexta-feira, junho 01, 2012

Começávamos a aperceber-nos, de forma ténue e ainda não completamente deslindável, que podia haver uma inclinação ou uma predisposição para o perigo como a atracção para o abismo. Não estava sempre presente. Acordava-nos às vezes e impunha-se, mais forte mas menos evidente que o dia. Ocupava-nos, como um pequeno monstro escondido entre as entranhas e, em menos que nada, lá estávamos de novo, no olho do furação. À espera de um braço uma mão uma mãe que nos retirasse a tempo da tempestade. A tempo de acreditarmos. Ainda.

sábado, abril 28, 2012

sexta-feira, abril 20, 2012

Boris escreveu-me de novo. Disse-me que não me mandou a sua direcção porque não queria que o contactasse. Que eu tinha abandonado a poesia que a tinha trocado pelo negócio de viver. A poesia não suportartá as nossas dívidas nem arranjará os diques que sustêm as águas que chegam a cada estação. Boris não entende isso porque lhe são indiferentes os destinos do mundo.
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Apesar disto sonhei contigo a semana inteira.

terça-feira, abril 10, 2012

o continente do meio

Pode vir a primavera. Ela que já chegou, alguns pássaros e cigarros depois. O ano anterior durou até ao Outono nas suas intermitências e as alterações clímáticas farão cada vez mais a vida negra aos poetas. Já planeámos a viagem, a das palavras primeiro.


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Mas foram quase três luas que encheram o céu. E na sua luz nocturna ficou um lugar inóspito.