ela Olha as árvores, as folhas, as calçadas, as janelas, as pessoas a Cidade.E Olha de novo. Não desiste de olhar, do olhar. Ouvem-se as gaivotas na cidade desde ontem. Trazem-me de volta à vida que imagino ter deixado entre afazeres, obrigações ou outras cobardias.O som das gaivotas no céu branco é a única prova, para já,de que há uma vida verdadeira para lá desta onde respiro a custo.
a tinta, fresca ou nao, pode servir para colorir todos os muros da cidade, do suburbio, clandestina poe a prova mecanismos securitarios disfarcados de liberdade para acabar de vez com ela a_tinta@hotmail.com
segunda-feira, dezembro 17, 2012
sexta-feira, outubro 26, 2012
quinta-feira, julho 05, 2012
Entretemo-nos a imaginar o que a terra podia dar, as cartas que podiamos receber. Enganamos o tempo, mesmo que o sintamos aprazível. Insistimos com a água sobre a terra, alegramo-nos com o pequena flor mesmo sem fruto. Conseguimos em alguns momentos construir a casa ideal onde há açúcar branco, amarelo e até em pó. Conseguimos imaginar o tempo em que ele tenha um uso e as crianças pintem livros de receitas antigos. Imaginamos, imaginamos, porque sabemos que as crianças vão crescer mais rápido que os bolos ou os livros que conseguirmos ler e fazer.
A melancolia agreste que nos pende de todos os movimentos não é um ponto de vista, a forma como entreolhamos o céu através das folhas das árvores. Ela é o que está no copo para bebermos. E a sede é infinita.
quinta-feira, junho 14, 2012
sexta-feira, junho 01, 2012
Começávamos a aperceber-nos, de forma ténue e ainda não completamente deslindável, que podia haver uma inclinação ou uma predisposição para o perigo como a atracção para o abismo. Não estava sempre presente. Acordava-nos às vezes e impunha-se, mais forte mas menos evidente que o dia. Ocupava-nos, como um pequeno monstro escondido entre as entranhas e, em menos que nada, lá estávamos de novo, no olho do furação. À espera de um braço uma mão uma mãe que nos retirasse a tempo da tempestade. A tempo de acreditarmos. Ainda.
sábado, abril 28, 2012
onde me queres
Se eu fui o arco e tu o ferro que o fez girar vejo uma rua a terminar uma rua a terminar.
sexta-feira, abril 20, 2012
Boris escreveu-me de novo. Disse-me que não me mandou a sua direcção porque não queria que o contactasse. Que eu tinha abandonado a poesia que a tinha trocado pelo negócio de viver. A poesia não suportartá as nossas dívidas nem arranjará os diques que sustêm as águas que chegam a cada estação. Boris não entende isso porque lhe são indiferentes os destinos do mundo.
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Apesar disto sonhei contigo a semana inteira.
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Apesar disto sonhei contigo a semana inteira.
terça-feira, abril 10, 2012
o continente do meio
Pode vir a primavera. Ela que já chegou, alguns pássaros e cigarros depois. O ano anterior durou até ao Outono nas suas intermitências e as alterações clímáticas farão cada vez mais a vida negra aos poetas. Já planeámos a viagem, a das palavras primeiro.
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Mas foram quase três luas que encheram o céu. E na sua luz nocturna ficou um lugar inóspito.
sexta-feira, março 16, 2012
Março com granizo
Não quero esta primavera precoce, aguardo algum conforto que venha com as sobras de frio deste inverno. Sinto falta de Janeiro, cheio daquela promessa em que ainda o tempo a galope deste Março não lhe tivesse sucumbido. Sinto falta de Janeiro porque estavas lá. Tu e aquele que se tornou em pai.
terça-feira, fevereiro 21, 2012
Não me esqueço de nós. Mas se a esperança e a alegria abandonaram este campo de onde nem as montanhas vislumbro. Se a noite é deserta e as estrelas apontam ao meu peito uma solidão inomeável, pode a beleza das azedas amarelas resistir sem risos à sua volta? Pode um ponto de encontro existir sem nós e esperar-nos?
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