a tinta, fresca ou nao, pode servir para colorir todos os muros da cidade, do suburbio, clandestina poe a prova mecanismos securitarios disfarcados de liberdade para acabar de vez com ela a_tinta@hotmail.com
sexta-feira, junho 01, 2012
Começávamos a aperceber-nos, de forma ténue e ainda não completamente deslindável, que podia haver uma inclinação ou uma predisposição para o perigo como a atracção para o abismo. Não estava sempre presente. Acordava-nos às vezes e impunha-se, mais forte mas menos evidente que o dia. Ocupava-nos, como um pequeno monstro escondido entre as entranhas e, em menos que nada, lá estávamos de novo, no olho do furação. À espera de um braço uma mão uma mãe que nos retirasse a tempo da tempestade. A tempo de acreditarmos. Ainda.
sábado, abril 28, 2012
onde me queres
Se eu fui o arco e tu o ferro que o fez girar vejo uma rua a terminar uma rua a terminar.
sexta-feira, abril 20, 2012
Boris escreveu-me de novo. Disse-me que não me mandou a sua direcção porque não queria que o contactasse. Que eu tinha abandonado a poesia que a tinha trocado pelo negócio de viver. A poesia não suportartá as nossas dívidas nem arranjará os diques que sustêm as águas que chegam a cada estação. Boris não entende isso porque lhe são indiferentes os destinos do mundo.
.....................................................................................................
Apesar disto sonhei contigo a semana inteira.
.....................................................................................................
Apesar disto sonhei contigo a semana inteira.
terça-feira, abril 10, 2012
o continente do meio
Pode vir a primavera. Ela que já chegou, alguns pássaros e cigarros depois. O ano anterior durou até ao Outono nas suas intermitências e as alterações clímáticas farão cada vez mais a vida negra aos poetas. Já planeámos a viagem, a das palavras primeiro.
.................................
Mas foram quase três luas que encheram o céu. E na sua luz nocturna ficou um lugar inóspito.
sexta-feira, março 16, 2012
Março com granizo
Não quero esta primavera precoce, aguardo algum conforto que venha com as sobras de frio deste inverno. Sinto falta de Janeiro, cheio daquela promessa em que ainda o tempo a galope deste Março não lhe tivesse sucumbido. Sinto falta de Janeiro porque estavas lá. Tu e aquele que se tornou em pai.
terça-feira, fevereiro 21, 2012
Não me esqueço de nós. Mas se a esperança e a alegria abandonaram este campo de onde nem as montanhas vislumbro. Se a noite é deserta e as estrelas apontam ao meu peito uma solidão inomeável, pode a beleza das azedas amarelas resistir sem risos à sua volta? Pode um ponto de encontro existir sem nós e esperar-nos?
terça-feira, fevereiro 07, 2012
quarta-feira, fevereiro 01, 2012
Fugir ao frio de Fevereiro não será tão difícil como chegar ao fim dos dias em que as circunstâncias e as contingências são, se não um castigo ou um prémio, uma prova. Como atravessar o deserto sem água ou um chapéu decente. Atravessar o deserto sem saber se chegar ao fim é melhor que perecer pelo caminho. Atravessar o deserto pelo prazer efémero de respirar e sentir a brisa quente do fim do dia. Vou ficar a ver-te chegar aos planaltos da Anatólia e esperar que os elementos te recebam e sejam para ti suaves.
terça-feira, janeiro 10, 2012
Janeiro com pássaros
Hoje pedi ao pisco de peito ruivo que cantava ao amanhecer que fosse ter contigo, que te acordasse também. O pássaro voltou no meio do dia, pousou sob o sol e a sombra das árvores na cerca do jardim e ali ficou, para que o visse. Pequeno, nervoso.
..............................
Se houver sol nos dias de Janeiro ele traz-nos uma luz como nenhuma outra. Aperto-a bem. Semicerro os olhos com ela como se o solestício não trouxesse esperança alguma ou como se os dias pudessem, de alguma forma inexplicável, não suceder-se como a natureza os programou.
..............................
Se houver sol nos dias de Janeiro ele traz-nos uma luz como nenhuma outra. Aperto-a bem. Semicerro os olhos com ela como se o solestício não trouxesse esperança alguma ou como se os dias pudessem, de alguma forma inexplicável, não suceder-se como a natureza os programou.
quinta-feira, janeiro 05, 2012
tempo, sempre o tempo
Este ano perdi dois relógios. Não lhes tinha amor porque esse ficou num relógio que perdi a descer uma ravina há uns poucos de anos atrás. Nessa altura ainda o tempo não me fugia de forma descontrolada por isso foi só um objecto com a sua história particular que desapareceu. Perdemos mais coisas entretanto, uma determinada noção da realidade e coisas que nos fogem da vista por momentos e descobrimos que a sua falta nos estangula. Mesmo que seja uma fada. Do Ar.
Subscrever:
Mensagens (Atom)