Edviges partiu para um dos seus reinos. Deixou-me a casa empanturrada. De doces, compotas, pedras, sementes, papéis de toda a espécie, preciso de mil anos para encontrar os meus papéis se não pegar fogo a tudo. Quer dizer que serão precisos mil anos para recomeçar o meu trabalho se não for tudo a eito. Encontrar o fio da meada. Reecontrei uma tranquilidade perdida, pode ser o fio condutor até ao Tempo Perdido e Reecontrado. Reelaborado.
a tinta, fresca ou nao, pode servir para colorir todos os muros da cidade, do suburbio, clandestina poe a prova mecanismos securitarios disfarcados de liberdade para acabar de vez com ela a_tinta@hotmail.com
terça-feira, novembro 02, 2010
quarta-feira, maio 19, 2010
o sol abraça-te
A aranha morreu mas surgiram outras no seu lugar e como ela tiveram o mesmo fim. Podem ter emigrado tão perigosas e imprevisíveis se tornaram estas terras. Sobrevivi ao Inverno graças a Edviges. Perdeu-se quase tudo o que tinhamos na terra. Mas há esperança para alguns caules secos que possam guardar o segredo da ressureição por onde corre ou correu a sua seiva.
É dificil regressar a um discurso, regressar ao texto. Apesar da sua ausência ser ou sugerir-nos a morte. Não vale a pena escrever contra o esquecimento que ele sobrevirá. Vale a pena escrever para que os nossos dias se arrumem, para que o nosso tempo seja nosso, para que saibamos regressar ao que nos trouxe aqui, ao que me levou a Edviges.
quinta-feira, dezembro 24, 2009
O último mês
Ainda há romãs. As folhas da árvore sagrada foram mudando de cor até às superfícies da emoção. Os temporais estão a fazê-las cair, andámos a colectar algumas já podres do chão, há uma teimosia diferente este ano nesta árvore . Resistem para lá do seu tempo as folhas, os frutos foram em demasia, deram para os pássaros, para nós, para as formigas, para doces de inverno, e ainda ali estão alguns, secos, impedindo a árvore de se calar.
A figueira do lado foi cortada, grandes chuvadas fizeram-na tombar e acabou levada cerrada depois de tantas estações, depois de resistir a tanto ódio humano. As árvores são maiores que nós, ultrapassam-nos em tempo, em utilidade também na maioria das vezes. Mas não viemos aqui falar do que é útil. Nem estamos perto de saber o que isso significa.
sexta-feira, outubro 30, 2009
11º mês
Tâmaras frescas, a primeira romã, um brinco perdido. A dificuldade em ser razoável. O frio de que tenho saudades, o nevoeiro que me acompanha na manhã e faz esquecer a força bruta que tenho de arrancar-me para fazer a manhã continuar. O nevoeiro que esquece os músculos arrancados das costas.
O reino de Edviges parece seguro depois da diplomacia entre a guerra. Parece, por vezes, que não existe outra possivel, que fora da guerra e da morte não há acordo ou compromisso a que possamos chegar. Esta é uma estação de luz e sombra, quero passar por ela sem que se aperceba. Aprendi que o cansaço vai do despontar do sorriso até aos olhos matando a coragem ou a vida que por eles vi(vi)a.
quinta-feira, outubro 08, 2009
Outono
As chuvas chegaram e a aranha engorda junto à janela. Deixa-nos os seus cadáveres para eu limpar meticulosa e pacientemente todos os dias. Apesar do ritmo lento e inútil da nossa força de trabalho também engordamos. Enquanto as sementes e as flores se avolumam à nossa volta. Ainda não chegaram notícias das guerras travadas contra os territórios de Edviges. Sonho com livros e com o tempo que nunca terei para eles. Uma vaga de melancolia amarela cobre-me a pele, uma espécie de tortura com brasas encandescentes.
domingo, setembro 27, 2009
Edviges deixou o seu reino desprotegido. Para vir ter connosco. Os ataques começaram por vários lados, mas Edviges não abandonou o nosso amor. Tudo parece sereno e seguro apesar de neste sítio, sobranceiro ao mar, termos aprendido a eminência da catástrofe. Não sabemos se ela vem connosco do princípio dos tempos, se ela está em todas as pedras ou se ela luta, como Edviges faz agora, para subsistir. É uma princesa de paz, todos os súbditos sorriem. Faço-a sorrir com beijos.
quinta-feira, agosto 06, 2009
Continuamos com os pássaros. Às vezes nem vamos ter com eles mas eles estão lá, escolhemos os mesmos sítios, sinal da nossa condição animal conjunta. Só a nós não nos couberam asas. Em vez delas os olhos, intermediários da lagoa e do seu espelho cá dentro. E à frente dos olhos podemos pôr instrumentos que os projectam para lá do horizonte nú. O mundo aparece-nos de maneira tão diferente, é possível abarcá-lo de maneira tão diferente que não compreendo como há gente que se aborrece. E desiste, por vezes.
domingo, julho 05, 2009
Julho com pássaros
Os pássaros estão sempre connosco, também. Dentro das muralhas, no topo da torre e lá fora, à volta do castelo. Saio, fecho os olhos, sinto pela frescura do vento e pelo calor na pele que o sol está alto. O céu está alto também, há muito espaço entre nós e ele. Azul, claro, luminoso sem ferir como acontece depois em Agosto. Contra o espelho de calcário dessa altura as nossas pupilas nada podem.
Mas, agora, o silêncio. A cidade está feita de silêncio. Redondo, alto como o sol deste domingo. O domingo mais silencioso e azul da época. Amanhã as rotinas põem-se em marcha, como roldanas, mas hão-de estar mais soltas porque já um terço da população se exilou para destino balneares.
Os mistérios de Lisboa ficam mais à vista.
sábado, junho 20, 2009
Verão Quente
Organizamos a colecção de árvores. Como os dias se alongam agora mais os planos são maiores. Envio cartas pedindo músicas de que precisamos. Elas chegam, devagar, de cantos longínquos. Fica sempre tanta por chegar, como os mapas de que precisariamos para decifrar os novos mundos desconhecidos. Ou os fazemos de raíz arriscando o naufrágio ou tentamos copiá-los, roubá-los arriscando a honra e a pena capital.
sexta-feira, maio 08, 2009
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