sexta-feira, junho 01, 2007

Ela sabe. Tem nas mãos uma chave. Entra. Depois do mais difícil a chave desaparece entre as horas em que se perde. Entre as mãos que, nela, iluminam o mais pequeno gesto.
A rua termina noutra rua. Dissolve-se contra um muro como uma onda falhada. Mas há mais direcções a tomar. A rua começa e acaba em encruzilhadas.

sexta-feira, maio 25, 2007

Maio a cair de maduro

A chuva há-de fazer aparecer algumas das promessas mais umas quantas minhocas de baixo de algumas pedras. Não hão-de vir bulir com os desenhos se os houver das calçadas.
Os estaleiros continuam, um pouco abandonados. As fendas das muralhas parecem saradas e prontas para mais uns quantos Invernos.

domingo, maio 20, 2007

domingo, maio 13, 2007

O rio ficou longe e o mar também apesar de o sabermos lá. Agora são as colinas e os vales gentis entre elas que nos enchem o cabelo de vento. Também há orquídeas entre o seu sorriso. Não serão suficientes as flores todas nesta Primavera.

terça-feira, maio 08, 2007

A menina romã sorri por detrás das sardinheiras. Mascara-se de odores todos os dias. É preciso abandonar este permanente compreender. Saber porque saltam as cores para dentro das minhas mãos e porque jorra delas o sangue também. Desço na direcção do rio e subo a colina apesar de não saber ainda onde termina esta rua.

sexta-feira, abril 27, 2007

o tempo suspende-se de novo, o dia de ontem parece ter sido há uma eternidade, apesar das folhas virarem na agenda e as outras já encherem as árvores. O tempo obriga-nos de novo, talvez o tenha feito desde sempre ainda que não soubessemos, ao confronto. Deixo-o vencer já, entrego-lhe a vida e os ossos antes que ele me transforme num saco deles ou sorrio-lhe por cima do ombro. O que vamos fazer um com o outro meu caro?

quarta-feira, abril 18, 2007

11#2

Sim, foi naquela esquina. Fiquei na dúvida, talvez, por alguns minutos, depois dias, se tinhamos sido realmente nós quem se tinha visto. Mais tarde, ainda, lembrei-me que na esquina oposta tinha um dia encontrado, quase da mesma forma, porque aqui confirmá-mo-nos, a pequena M. A cidade ou aquela esquina tem destas coisas.
O mais estranho no teu gesto foi parecer que me esperavas. Assim que puder regresso. Não vai passar outra década.

terça-feira, abril 10, 2007

o onze

Aprendi que o 11 significa a ligação entre o céu e a terra. E já sei porque é que tantas vezes são 11h11 quando olho para um relógio digital.
Entre as sinuosidades do teu nome imiscuiu-se uma terna e portentosa pantera. Seguiu o seu caminho para o sul. "Não troques o que amas pelo que desejas" mandam-me em mensagem a ser libertada dentro de poucos minutos, aqueles antes de nos explodir algo nas mãos, ou na boca, ou no coração. O que estiver mais a jeito.
Estou com um pouco de frio pelas costas apesar dos dias ficarem maiores e aumentarem com eles a nossa esperança.

quinta-feira, março 01, 2007

1º dia de Março

As solas de borracha de boa qualidade foram bem gastas pela cidade. Não voltei a subir e descer ruas. Mas cruzei bastantes. E não há nada como percorrer uma cidade inteira pelos atalhos mais rápidos. Não te encontro. E à medida que o tempo aumenta aumenta com ele a probabilidade de não nos procurarmos, de deixarmos de querer encontrar. Mas ao contrário do que a passagem do tempo faria prever as linhas do teu rosto mantêm-se claras e definidas.

terça-feira, janeiro 30, 2007

Era ruínas e não despojos o que sentia por baixo dos pés. Aquilo que em muitos dias numa cidade como a nossa nos faz esmorecer. É por isso que temos de ir aos sítios por onde passaram menos seres humanos antes de nós. Por isso é que temos de ir até ao mar. Para fugirmos ao peso deste passado espalhado por onde quer que andemos.
Continuarei a descer e subir ruas. Por agora.