sexta-feira, abril 27, 2007

o tempo suspende-se de novo, o dia de ontem parece ter sido há uma eternidade, apesar das folhas virarem na agenda e as outras já encherem as árvores. O tempo obriga-nos de novo, talvez o tenha feito desde sempre ainda que não soubessemos, ao confronto. Deixo-o vencer já, entrego-lhe a vida e os ossos antes que ele me transforme num saco deles ou sorrio-lhe por cima do ombro. O que vamos fazer um com o outro meu caro?

quarta-feira, abril 18, 2007

11#2

Sim, foi naquela esquina. Fiquei na dúvida, talvez, por alguns minutos, depois dias, se tinhamos sido realmente nós quem se tinha visto. Mais tarde, ainda, lembrei-me que na esquina oposta tinha um dia encontrado, quase da mesma forma, porque aqui confirmá-mo-nos, a pequena M. A cidade ou aquela esquina tem destas coisas.
O mais estranho no teu gesto foi parecer que me esperavas. Assim que puder regresso. Não vai passar outra década.

terça-feira, abril 10, 2007

o onze

Aprendi que o 11 significa a ligação entre o céu e a terra. E já sei porque é que tantas vezes são 11h11 quando olho para um relógio digital.
Entre as sinuosidades do teu nome imiscuiu-se uma terna e portentosa pantera. Seguiu o seu caminho para o sul. "Não troques o que amas pelo que desejas" mandam-me em mensagem a ser libertada dentro de poucos minutos, aqueles antes de nos explodir algo nas mãos, ou na boca, ou no coração. O que estiver mais a jeito.
Estou com um pouco de frio pelas costas apesar dos dias ficarem maiores e aumentarem com eles a nossa esperança.

quinta-feira, março 01, 2007

1º dia de Março

As solas de borracha de boa qualidade foram bem gastas pela cidade. Não voltei a subir e descer ruas. Mas cruzei bastantes. E não há nada como percorrer uma cidade inteira pelos atalhos mais rápidos. Não te encontro. E à medida que o tempo aumenta aumenta com ele a probabilidade de não nos procurarmos, de deixarmos de querer encontrar. Mas ao contrário do que a passagem do tempo faria prever as linhas do teu rosto mantêm-se claras e definidas.

terça-feira, janeiro 30, 2007

Era ruínas e não despojos o que sentia por baixo dos pés. Aquilo que em muitos dias numa cidade como a nossa nos faz esmorecer. É por isso que temos de ir aos sítios por onde passaram menos seres humanos antes de nós. Por isso é que temos de ir até ao mar. Para fugirmos ao peso deste passado espalhado por onde quer que andemos.
Continuarei a descer e subir ruas. Por agora.

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Subo e desço as ruas à procura do teu rosto.
Não estás muito longe ainda assim confiar nas hipóteses do destino já me pareceu melhor destino. Esta cidade está tão cheia de passado que sufoco por baixo dos seus séculos e milénios. A estratigrafia bem que podia desaparecer nalguns dias. O nascer do sol ignonar todos os velhos e velhas assomando às janelas tristes e belas. Que poderemos criar entre estes vestígios estes despojos?

sexta-feira, janeiro 12, 2007

o fio da meada

meu amor, deixei de ir até ao rio e à linha do comboio. Como encontrar novamente o caminho ?

sexta-feira, dezembro 29, 2006

Mudar o calendário e as agendas

Os homens trabalham pontual e afincadamente junto às muralhas. As chuvas virão antes de concluirem e só espero que não se molhem porque já basta a dureza imposta aos seus braços. E mesmo assim sorriem para nos provar que o futuro, afinal, pode existir. É para eles que O desejo, principalmente.

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Solestício

Assim que os dias ficaram mais claros e que voltou a luz conhecida à cidade começámos a descer até junto ao rio. A ouvir a sirene dos navios. Encontrámos um rosto que ficou sem nome por algum tempo. Esse tempo ainda foi o melhor. Agora que há um nome o frio torna-se menos suportável. Os ponteiros do relógio jogam na equipa adversária.

quarta-feira, dezembro 06, 2006

p´lo Inverno

a muralha cedeu um pouco. As águas imparáveis desta estação são mais fortes que os débeis laços da comunidade com o património comum. Fazem-se planos mas por agora resta-nos ver chegar as rãs e os cogumelos. A vinha resiste a tudo e descobrimos tarde demais os seus frutos.