quarta-feira, abril 05, 2006

domingo, abril 02, 2006

Que mistérios se escondem na Figueira para que em poucos dias as pontas verdes se tenham transformado em mãos de palmas abertas escondendo na sua sombra promessas de frutos?

quinta-feira, março 23, 2006

O vento deixou-nos sitiados. Temos de pedir tabaco a alguém que vá a Espanha. Hoje na cozinha um pargo lesionou um de nós. Apesar de tudo há pontas verdes, de um verde mais verde que o nosso diário, nas pontas firmes dos ramos da Figueira.

terça-feira, fevereiro 28, 2006

Se a Terra gira porque está sempre a mesma constelação por cima da minha janela?

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

Hoje, como não consegui descobrir ou fazer o que tinha para fazer, roí todas as unhas. A lua não chegou a brilhar naquela noite, um manto branco tapou-a da vista porque no tempo também existe o imponderável. Maior que os casamentos e divórcios que vão sucedendo.

sábado, fevereiro 04, 2006

Passado um tempo, quando as bifanas deixaram de ter o sabor daquela noite, soube que tinha serenado em mim o choque da notícia. Outras mortes se seguiram. Umas mais naturais mas nem por isso menos violentas. É difícil arrumar os nossos mortos. É difícil serenar as nossas vidas.

sexta-feira, janeiro 13, 2006

Não sei quando foi que começei a levar a vida a sério.
A lua está alta, cheia e indiscreta. Amanhã estará por cima das telhas do meu prédio e fará sombras novas nos quintais. É isso o tempo. Também. Suponho.

segunda-feira, dezembro 26, 2005

Lembrar

Descobri o sítio onde comemos bifanas na noite do velório. Aquele sabor ficou por muito tempo associado ao cheiro da capela. Ainda me lembro do sabor da mostarda no momento em que tentava despedir-me diante do cadáver. A sua morte súbita era um acidente. Éramos demasiado jovens para que fosse mais do que isso.

quinta-feira, dezembro 22, 2005

no meio

A minha casa tem dois lados. Como o coração e a cabeça. De um lado faz sol do outro sombra. De um lado o céu do outro os prédios. De um lado o silêncio do outro os carros. De um lado um vestígio de outros tempos do outro o Tejo. De um lado as árvores do outro o vento. Como eu não posso viver no meio da casa vou ter de encontrar outra.

quarta-feira, dezembro 14, 2005

As árvores lá trás

A figueira ficou nua depois da tempestade. Foram-se as folhas já amarelecidas pelas primeiras chuvas. Mas, ao lado, as tangerinas ficaram cheias e a rebentar de cor.