Esse viajante, tal como o outro, menos mundano e mais espantado, os dois patrícios, podiam ser Boris, a personagem mais carnal por onde quis dizer poesia. Queria mesmo era obrigar Boris a vivê-la. Deixei-o encostado a uma janela qualquer a fumar e a dar tragos pequenos numa cerveja checa muito popular nos states. Ainda aí está, aí o abandonei.
a tinta, fresca ou nao, pode servir para colorir todos os muros da cidade, do suburbio, clandestina poe a prova mecanismos securitarios disfarcados de liberdade para acabar de vez com ela a_tinta@hotmail.com
quinta-feira, julho 07, 2005
quinta-feira, junho 30, 2005
Se numa noite de Junho
Invejava-lhe aquela liberdade. A dos viajantes. Poder estar aqui, além ou noutro lado, comprar um caderno como um quilo de fruta, escolher todos os dias o percurso numa cidade, uma esplanada, um bilhete de autocarro ou de avião. Invejava-lhe até perceber que quando aqui chegasse viria com pés tão ligeiros que mal notaríamos a sua, ainda que doce, presença.
terça-feira, junho 07, 2005
madrugada
É difícil encontrar horas quietas. Em que nem as folhas das árvores se agitem apesar de um sopro ligeiro vir bater-me no rosto. Nessas horas é possível ludibriar o tempo, ou a ilusão dele, e ficar inteiramente no aqui, no presente.
sexta-feira, maio 20, 2005
domingo, maio 08, 2005
Tinha uma caixa especial. Tinha-a há tantos anos que perdi a conta à sua origem. Era uma caixa de cartão diferente de todas as outras. Chegou e partiu-me a caixa, não de uma vez só mas uma destruição lenta e continuada. Podia ter partido os pirex e as louças todas da cozinha. Tudo o que era de vidro e tinha valor já foi aliás. Mas não, resolveu destruir a caixa de cartão diferente de todas as caixas e que estava comigo há tanto tanto. Os objectos que sobrevivem mais de uma década sendo-nos próximos e úteis passam a insubstituíveis. Misturaram-se na nossa vida a ponto de se misturarem connosco. Alguém tocar-lhes e fazê-los úteis para si mesmo é igual a tocar-nos. Alguém destruí-los é o mesmo que entrar e destruir-nos um pouco. Principalmente quando não se entende isso.
quinta-feira, maio 05, 2005
sexta-feira, abril 29, 2005
adeus contador de visitas
o blogpatrool abandonou-nos e ficamos sem registo do esforço lento desse contador, não saber se nos ouvem entrava o falar mas lança-nos num novo discurso orgulhoso. Orgulhosamente sós como dizia o velho sebento. (se não era um dos sete pecados mortais devia)
sábado, março 19, 2005
Antes da Primavera
Há alturas em que, ou por tomarmos um bom medicamento que nos arranca à febre dos últimos dias, ou porque sem ela ficamos despidos da última desculpa, tudo se detém e sabemos que algo nos aguarda, algo espera por nós impreterível e forçosamente. Pode ser um enigma antigo, pode ser o mesmo de todos os dias mas sentido de forma mais evidente. Difícil perceber mas há alturas, como esta, que têm de ser desmascaradas e resolvidas.
Posso procurar bem a música que quero ouvir e ainda assim não ser o suficiente. Parece que não existe, ou se existe, impossível dar com ela. Talvez tenha de a encontrar fora daqui. Faltam coisas a esta sala para que eu a habite com o à vontade e a familiariedade necessárias. O que fazer para que uma pessoa não seja estranha entre estes estranhos objectos? Ou estranha disposição de objectos. Será por aqui o caminho à pergunta original? Ou é mais uma desculpa, mais elaborada que uma gripe persistente?
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