sexta-feira, abril 29, 2005

adeus contador de visitas

o blogpatrool abandonou-nos e ficamos sem registo do esforço lento desse contador, não saber se nos ouvem entrava o falar mas lança-nos num novo discurso orgulhoso. Orgulhosamente sós como dizia o velho sebento. (se não era um dos sete pecados mortais devia)

sábado, março 19, 2005

Antes da Primavera

Há alturas em que, ou por tomarmos um bom medicamento que nos arranca à febre dos últimos dias, ou porque sem ela ficamos despidos da última desculpa, tudo se detém e sabemos que algo nos aguarda, algo espera por nós impreterível e forçosamente. Pode ser um enigma antigo, pode ser o mesmo de todos os dias mas sentido de forma mais evidente. Difícil perceber mas há alturas, como esta, que têm de ser desmascaradas e resolvidas.
Posso procurar bem a música que quero ouvir e ainda assim não ser o suficiente. Parece que não existe, ou se existe, impossível dar com ela. Talvez tenha de a encontrar fora daqui. Faltam coisas a esta sala para que eu a habite com o à vontade e a familiariedade necessárias. O que fazer para que uma pessoa não seja estranha entre estes estranhos objectos? Ou estranha disposição de objectos. Será por aqui o caminho à pergunta original? Ou é mais uma desculpa, mais elaborada que uma gripe persistente?

sexta-feira, janeiro 28, 2005

Quando acordo surpreendo-me, nem que seja num milionésimo infinitisimal de segundo. Agora surpreendo-me também quando vejo os teus olhos, ou quando sinto o teu corpo. Mais um milionésimo (este mais longo). Se ficarmos juntos perderei esta surpresa no tempo?

segunda-feira, janeiro 24, 2005

demasiado corpo

Já não bastava ter um coração gigante a bombear-me no peito. Agora adormeço rápida e bruscamente deixando acordadas as respirações de assassinos. É possível viver com assassinos. Que eles tenham vivido sempre junto a nós. Numa manhã descobrimos os seus crimes e sabemos que é demasiado tarde para nós próprios. Pômo-nos a chorar, de pena própria ou alheia. Principalmente por não sabermos fazer nada, nem parar o crime-isto porque se pode assassinar alguém durante muito tempo-nem mudar ou ajudar o criminoso-afinal vivemos sempre com ele-nem passar a adormeçer lentamente sossegando o coração gigante.

terça-feira, novembro 23, 2004

o mural

a tinta parece ter secado, como os murais antigos onde colaram cartazes do circo cardinalli o natal passado e por cima deles a vinda do dalai lama e depois os outros cartazes que foram encarquilhando, descorando, secando da chuva ao sol. Mas como caiar a parede com dois corações aqui dentro. Este bombear no peito, este sangue veloz, ensurdecem-me de alegria.

sábado, novembro 06, 2004

terça-feira, outubro 12, 2004

não abandoneis vossos postos

A cidade aquietou-se. Sosseguei-me nela. O Outono é a melhor altura para fazer as pazes. Passei a acordar para descobrir a tonalidade do céu. É possível encontrar-lhe novidades. Retoma-se a vida num ponto qualquer, ainda indistinto. Cheio daquilo que fomos depositando de querer ao longo do tempo. Ainda que diste daqui parece vir buscar-nos ou lembrar-nos que existe,com a mesma força do quotidiano.

terça-feira, setembro 21, 2004

Setembro outra vez

Basta o café ser mau para o refresco não prestar. A cidade continua nauseabunda, os seus cheiros encostam-me à parede. O tempo deixou de vir às golfadas conhecidas, algo misterioso o interrompeu. Não sei se é agora que o universo passa a ter o meu ritmo, se continuo a segui-lo.
Não sabemos, muitas vezes, como aqui chegámos, sabemos que aqui estamos, de quando em quando, quando a realidade nos atravessa a estrada e nos encosta à berma. Depois, se prosseguissemos como os restantes animais, dormindo, comendo, lambendo as feridas. Não, os homens não continuam, basta retirar-lhes o hábito ou a esperança. Passam a dormir mais ou menos do que precisam, a comer mais ou menos do que precisam, deixam de lamber as feridas.

segunda-feira, setembro 06, 2004

sinto-me num país estrangeiro, numa cidade que não conheço, as esquinas familiares como numa fotografia são como uma estação de rádio qualquer em playlist contínua. A luz congelou as sombras e apesar do amanhecer e anoitecer fiquei ali. Em nenhures.

sexta-feira, agosto 27, 2004

A linguagem

Este é meu primeiro post não imediato. Só para experimentar da estranheza da escrita em papel, prévia, que contraria a sensação de perigo, sem mediações, da folha virtual, on line. Escrever fora da linha é, assim, uma forma de traição a esse(este)espaço que vive ou respira de formas e propósitos novos. Comunicação anti-perene, assente numa matéria (suporte) que não desdobramos, não sentimos, não controlamos apesar do código ser(aparentemente) o mesmo. A gravura paleolítica não era também determinada pela pedra? O utensílio, o papiro, o bambu, o estilete são também a forma e daqui a ideia. O que é um caracter chinês?
Que códigos despontarão destas ciber bandas largas de bytes? Que força terá o papel quando olhamos para o ecran em branco? A mesma que as árvores balouçando numa janela aberta ao lado do monitor. E o futuro questionará dedo e dígito procurando saber quem antecedeu quem (em correntes pouco dialécticas)