terça-feira, setembro 21, 2004

Setembro outra vez

Basta o café ser mau para o refresco não prestar. A cidade continua nauseabunda, os seus cheiros encostam-me à parede. O tempo deixou de vir às golfadas conhecidas, algo misterioso o interrompeu. Não sei se é agora que o universo passa a ter o meu ritmo, se continuo a segui-lo.
Não sabemos, muitas vezes, como aqui chegámos, sabemos que aqui estamos, de quando em quando, quando a realidade nos atravessa a estrada e nos encosta à berma. Depois, se prosseguissemos como os restantes animais, dormindo, comendo, lambendo as feridas. Não, os homens não continuam, basta retirar-lhes o hábito ou a esperança. Passam a dormir mais ou menos do que precisam, a comer mais ou menos do que precisam, deixam de lamber as feridas.

segunda-feira, setembro 06, 2004

sinto-me num país estrangeiro, numa cidade que não conheço, as esquinas familiares como numa fotografia são como uma estação de rádio qualquer em playlist contínua. A luz congelou as sombras e apesar do amanhecer e anoitecer fiquei ali. Em nenhures.

sexta-feira, agosto 27, 2004

A linguagem

Este é meu primeiro post não imediato. Só para experimentar da estranheza da escrita em papel, prévia, que contraria a sensação de perigo, sem mediações, da folha virtual, on line. Escrever fora da linha é, assim, uma forma de traição a esse(este)espaço que vive ou respira de formas e propósitos novos. Comunicação anti-perene, assente numa matéria (suporte) que não desdobramos, não sentimos, não controlamos apesar do código ser(aparentemente) o mesmo. A gravura paleolítica não era também determinada pela pedra? O utensílio, o papiro, o bambu, o estilete são também a forma e daqui a ideia. O que é um caracter chinês?
Que códigos despontarão destas ciber bandas largas de bytes? Que força terá o papel quando olhamos para o ecran em branco? A mesma que as árvores balouçando numa janela aberta ao lado do monitor. E o futuro questionará dedo e dígito procurando saber quem antecedeu quem (em correntes pouco dialécticas)

segunda-feira, julho 19, 2004

nada mais será como dantes

num relance rápido perto do teatro onde trabalha, descubro quem num relance lento numa imagem da tv reflectida no espelho do único café possível no mundo, aquele onde nos sentávamos sem nenhum tempo que não o nosso,  me descobriu entre diálogos mudos de telenovela, e há dias nesse relance confirmado pelo retrovisor descubro que a juba voluptuosa vermelha tinha abandonado a caçadora que, muito antes da telenovela, eu havia descoberto. Que desfaçatez . Foi pior que vê-la a beijar a Isabelle Huppert.



quinta-feira, julho 01, 2004

quarta-feira, junho 30, 2004

querias não querias?

"É como estar numa ilha deserta
olhar em volta e gritar àgua à vista
é como estar debaixo de uma palmeira

ao sol tropical, tropical
não há quem resista

baiá baiá baiá baié
jingle tónico
gin
gin gin
jingle tónico

é como deitar os cubos de gelo
no copo da tónica dois dedos de gin
é como sentir o amargar do limão
teus lábios beijando
e cantando assim:
baiá baié baiá
baiá baié baiá

jinlge tónico
gin gin gin
jingle tónico

é como estar de papo para o ar
olhar o azul e a areia
é como sentir o tempo parar
o céu tropical tropical uhhh
quando há lua cheia
baiá baié baiá
baiá baié baiá"
Doce (António A. Pinho/Nuno Rodrigues)

(...)

"Vem cá, gelado não dá
com sabor a limão
vem cá, gelado só dá
se estiver perto do meu coração

vá lá, tão frio que está

se está, dá-me a tua mão
vá lá, que frio só dá
outono no meu coração

Quero estar perto, bem perto
do calor que tens para dar
quente quente quente quente
até queimar!!

Gelado Gelado
Não vás por aí
por onde vais
frio frio frio
Está morno está morno
estás quase a chegar ao pé de mim
Quente quente quente
até escaldar enfim (...)"
Doce (António A. Pinho/Tozé Brito)

sexta-feira, junho 25, 2004

segunda-feira, junho 21, 2004

errata

não proibiu mas gostava, santana deu a sua opinião que aproveitou para partilhar com o governo civil.
o ano passado investiu turbinas de dinheiro no electro parade, o tal que tentou colar à marcha lgbt sem, no entanto, o conseguir. "..o S. Pedro está-se a acabar...S. João S. João S.João, dá cá um balão para eu brincar"