sábado, abril 03, 2004

Entretanto o Bloco de Esquerda comemorou 5 anos e recebeu como prenda um editorial do Público. A esquerda regozija com as palavras do intrépido José Dar-wader Fernandes. Já estamos aliás no fim do domínio dos Josés na Ibéria. E os estertores serão agudos, nem o Saramago escapa.
Ariel Sharon, em entrevista a jornal, apontou Arafat como responsável directo em acções terroristas e desaconselhou companhias de seguros a fazer-lhe um seguro de vida. Um sério candidato ao troféu de branco-mais-branco-não-há e à categoria Cínico no troféu dos assassinos-do-ano.

quarta-feira, março 24, 2004

Hamas retira ameaça a EUA, Publico
"(...)Não podemos escapar à acusação: tornámo-nos um povo assustador-porque nesta década fizemos do assassínio uma técnica importante da política doméstica.
Tornámo-nos um povo assustador-porque durante três anos devastámos um pequeno país no outro lado do mundo,numa guerra que não tem relação proporcional à segurança e interesses nacionais.
Assustamos ainda-porque muitos no mundo suspeitam da conexão sugerida por aquele devoto amigo e estudioso da América sir Denis Brogan: "temos nós a certeza de que é por simples acidente que a nação onde se cometem mais crimes no mundo foi a primeira e única a lançar a bomba atómica?"
Somos, sobretudo, um povo assustador, porque as atrocidades que cometemos, no solo pátrio ou no estrangeiro,mal parece, mesmo agora, terem provocado a nossa hipocrisia oficial ou perturbado a nossa convicção transcendente de infalibilidade moral.(...)"

Arthur M. Schlesinger Jr.
A Crise de Confiança- Ideias, Poder e Violência na Amérioca, 1968
José Lamego explicou-nos, em entrevista a Maria Avillez, que valores ocidentais são ameaçados pelo terrorismo: a separação entre Estado e Religião, a igualdade entre homens e mulheres. Nesta lógica é interessante verificar que EUA escolheram atacar, invadir e ocupar o pais mais laico entre os países árabes, com a justificação, assumida claramente pós verificação da não existência de armas DM, de lutar contra o terrorismo. Tudo isto acompanhado pelo grito do imperador: In God we Trust!
O assassinato bárbaro esta semana do líder do Hamas pelo aliado dos EUA em Israel está incrito com o lacre do combate ao terrorismo sendo óbvio para todos que o resultado desta acção que se chama terrorismo de Estado só tem um objectivo que é fazer incendiar mais e intermináveis rastilhos para a morte em ambos os lados e permitir com isso o bloqueio de todos as negociações em curso, já de si tão fracas e humilhantes para a Palestina. Mas para o centro político do Império o terrorismo está no Afeganistão, está no Iraque, o Sadam é que era o tirano maldito que perseguia o seu povo e matava curdos (seria útil acrescentar que o Iraque era o país com os maiores índices de desenvolvimento em todo o médio oriente à altura da primeira guerra do Golfo em 1990). O Estado de Israel perpreta diariamente, com a impunidade completa e a impotência da comunidade internacional indignada, os crimes mais hediondos contra a humanidade (a perseguição e tentativa de extermínio de um povo não tem outro nome). Os Estados Unidos da América são o país com o maior arsenal de guerra do mundo (é lá que se devem procurar as armas DM) são o estado que decreta a perseguição e eliminação imediata de pessoas voltando ao far west da sua história. O país onde os números de pessoas mortas em actos violentos não têm comparação com nenhum país do mundo.

Mas, como nos diz José Lamego, quem atente contra ele, por formas que achemos legítimas ou não, não lhe está a resistir nem a opor-se-lhe, está a tentar acabar com a igualdade entre homens e mulheres e lutar contra a separação entre Estado e Igreja. Lógico, faz todo o sentido.

segunda-feira, março 15, 2004

"Nada é mais importante que a segurança"- disse Nuno Rogeiro no rescaldo de Madrid- e acrescentou que nenhum esforço será de menos, que qualquer custo é sempre pouco para garanti-la. As favelas e os condomínios de luxo guardados até aos dentes de grades, câmaras de vídeo, polícias privadas. Ou então um Muro como se a História não tivesse acontecido desde a construção da Murallha da China. A acompanhar esta sinfonia vêm os violinos afinados da civilização que urge defender, como em Nova Iorque, tenta-se fazer dos corpos das vítimas cimento que sustente a ideologia do império. A ideologia que grita que este ataque é um ataque aos nossos valores-como discursou Marques Mendes no dia 11- como se os valores da vida e da paz fossem património de parte "democrática"da humanidade. Como se o Bem não fosse um valor universal, apesar dos canalhas. Como se uma bomba ou um avião contra uma torre traçe qualquer linha divisória entre culturas a não ser aquela que se desenha desde aí entre os que costroiem o império e aqueles que o recusam. Quem alimenta o discurso do Nós/Civilização/Ocidente coloca-se no mesmo campo dos que carregam mochilas com explosivos. No campo em que o Outro é o inimigo a abater, no campo dos fanáticos que tão bem e interminavelmente se alimentam. Ariel Sharon precisa dos bombistas suicidas para avançar legitimamente para a anexação. Bush precisa do 11 de Setembro para fazer avançar o Império.
GOOD BYE!