a tinta, fresca ou nao, pode servir para colorir todos os muros da cidade, do suburbio, clandestina poe a prova mecanismos securitarios disfarcados de liberdade para acabar de vez com ela a_tinta@hotmail.com
segunda-feira, março 15, 2004
terça-feira, março 09, 2004
SOMINCOR - CONCURSO OU ARRANJINHO
A assinatura do contrato promessa de compra da Somincor pela Eurozinc, na semana passada, veio culminar um processo que suscita as maiores dúvidas. A primeira é que num concurso internacional em que foram avançados nomes como a Noranda, a brasileira "Vale do Rio Doce", a finlandesa Otokumpu, a canadiana First Quantum, a Inmet Mining e a Gallipoli, só a Eurozinc concretizou a sua candidatura. Estranho, já que não está em causa o valor das reservas de Neves Corvo e a própria Eurozinc se diz vocacionada para a prospecção mineira, como tal deve conhecer bem o valor dessas reservas. Porquê, então a desistência dos outros concorrentes, a que há a somar a do grupo australiano Murchison, interessado na Somincor desde 2002?
A primeira coisa a esperar seria a anulação ou, no mínimo, a suspensão do concurso, em nome dos interesses estratégicos do país, numa região deprimida em que a Somincor é o maior empregador e o maior exportador. Mesmo numa perspectiva economicista, seria natural espicaçar a concorrência pela mais rica mina de cobre da Europa, com grandes reservas de estanho e zinco, numa altura em que a cotação destes metais está em alta - é a regra elementar de qualquer leilão. Mas não, o governo decidiu entregar a Somincor ao único concorrente que, assim, se limitou a oferecer um valor pouco acima da base de licitação - 115 milhões de euros - quando, no primeiro semestre de 2003, a Somincor gerou receitas de 45,2 ? e tem um activo superior a 250 milhões ?.
Ora um concurso com um único concorrente não é digno desse nome: é mais apropriado chamar-lhe arranjo, um 'arranjinho' típico deste governo dos lobbies que, em nome do combate ao défice, tem apadrinhado negociatas como as da Falagueira - Pereira Coutinho e a venda das dívidas ao fisco e à segurança social ao Citigroup por 15% do seu valor. No caso da Somincor, vale a pena traduzir os 118 milhões de euros: 23,6 milhões de contos, uma verdadeira venda ao desbarato que não dá sequer para cobrir as isenções de impostos concedidas pelo Estado à Rio Tinto Zinc.
Infelizmente, a Eurozinc não é para nós um ilustre desconhecido: comprou há dois anos as pirites de Aljustrel mas mantém a mina encerrada, alegando que o preço do zinco ainda não subiu o suficiente e que a sua cotação é em dólares, quando o euro está demasiado alto e as despesas se pagam nesta moeda. Até os efeitos da política monetarista europeia e do pacto de estabilidade se viram contra o Alentejo. E o mesmo pretexto pode vir a ser utilizado, amanhã, na Somincor. Mais preocupante ainda, a Eurozinc só é dona de duas minas em todo o mundo: a de Aljustrel e outra no estado norte-americano do Utah, ambas encerradas. O que faz aumentar a suspeita de estarmos perante uma espécie de testa-de-ferro de interesses especulativos que se movimentam nas bolsa internacionais, à revelia de uma exploração sustentada dos recursos mineiros e da região.
Num recente debate sobre o futuro das minas, realizado em Castro Verde, vieram-me à memória as palavras do engenheiro Soares Carneiro, presidente do CA da Somincor em 1999, na primeira visita que fiz a esta mina. Disse ele que a formação dos preços na bolsa de metais de Londres só depende em 10% de factores como os custos de produção ou da oferta e da procura, com a abertura de novas minas na China ou na Indonésia; 90% são pura especulação bolsista, como tal à mercê de crises como as que varreram os mercados de capitais da Ásia, da Rússia, do México ou da Argentina.
O governo PSD-PP quer entregar às leis selvagens do mercado o destino da principal empresa da nossa região, com mais de 700 postos de trabalho que o caderno de encargos permite despedir até 10% ao ano. Ou seja, em dez anos podem ser despedidos todos os trabalhadores, quando as reservas conhecidas em Neves Corvo vão, pelo menos, até 2030. No meio de tudo isto, soam ridículas as garantias contra a lavra gananciosa repetidas neste debate pelo governador civil e pelo representante do PSD, quando ela foi praticada mesmo quando o Estado detinha 51% do capital.
É urgente exigir a suspensão do contrato-promessa, quando a Eurozinc ainda não apresentou as garantias bancárias para a concretização do negócio. Mesmo que haja lugar a indemnizações, estas serão sempre um mal menor face ao verdadeiro crime de lesa-património público que está prestes a consumar-se. Face à habitual intransigência da direita no governo - patente no caso do aborto - é precisa a resistência e a união das populações, das autarquias e de todas as forças vivas da região, em solidariedade com os mineiros. Para prevenir um desastre social e ambiental como o da Mina de S. Domingos, é tempo de dizer BASTA!
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Alberto Matos - Crónica semanal na Rádio Pax - Beja - 09/03/2004
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A assinatura do contrato promessa de compra da Somincor pela Eurozinc, na semana passada, veio culminar um processo que suscita as maiores dúvidas. A primeira é que num concurso internacional em que foram avançados nomes como a Noranda, a brasileira "Vale do Rio Doce", a finlandesa Otokumpu, a canadiana First Quantum, a Inmet Mining e a Gallipoli, só a Eurozinc concretizou a sua candidatura. Estranho, já que não está em causa o valor das reservas de Neves Corvo e a própria Eurozinc se diz vocacionada para a prospecção mineira, como tal deve conhecer bem o valor dessas reservas. Porquê, então a desistência dos outros concorrentes, a que há a somar a do grupo australiano Murchison, interessado na Somincor desde 2002?
A primeira coisa a esperar seria a anulação ou, no mínimo, a suspensão do concurso, em nome dos interesses estratégicos do país, numa região deprimida em que a Somincor é o maior empregador e o maior exportador. Mesmo numa perspectiva economicista, seria natural espicaçar a concorrência pela mais rica mina de cobre da Europa, com grandes reservas de estanho e zinco, numa altura em que a cotação destes metais está em alta - é a regra elementar de qualquer leilão. Mas não, o governo decidiu entregar a Somincor ao único concorrente que, assim, se limitou a oferecer um valor pouco acima da base de licitação - 115 milhões de euros - quando, no primeiro semestre de 2003, a Somincor gerou receitas de 45,2 ? e tem um activo superior a 250 milhões ?.
Ora um concurso com um único concorrente não é digno desse nome: é mais apropriado chamar-lhe arranjo, um 'arranjinho' típico deste governo dos lobbies que, em nome do combate ao défice, tem apadrinhado negociatas como as da Falagueira - Pereira Coutinho e a venda das dívidas ao fisco e à segurança social ao Citigroup por 15% do seu valor. No caso da Somincor, vale a pena traduzir os 118 milhões de euros: 23,6 milhões de contos, uma verdadeira venda ao desbarato que não dá sequer para cobrir as isenções de impostos concedidas pelo Estado à Rio Tinto Zinc.
Infelizmente, a Eurozinc não é para nós um ilustre desconhecido: comprou há dois anos as pirites de Aljustrel mas mantém a mina encerrada, alegando que o preço do zinco ainda não subiu o suficiente e que a sua cotação é em dólares, quando o euro está demasiado alto e as despesas se pagam nesta moeda. Até os efeitos da política monetarista europeia e do pacto de estabilidade se viram contra o Alentejo. E o mesmo pretexto pode vir a ser utilizado, amanhã, na Somincor. Mais preocupante ainda, a Eurozinc só é dona de duas minas em todo o mundo: a de Aljustrel e outra no estado norte-americano do Utah, ambas encerradas. O que faz aumentar a suspeita de estarmos perante uma espécie de testa-de-ferro de interesses especulativos que se movimentam nas bolsa internacionais, à revelia de uma exploração sustentada dos recursos mineiros e da região.
Num recente debate sobre o futuro das minas, realizado em Castro Verde, vieram-me à memória as palavras do engenheiro Soares Carneiro, presidente do CA da Somincor em 1999, na primeira visita que fiz a esta mina. Disse ele que a formação dos preços na bolsa de metais de Londres só depende em 10% de factores como os custos de produção ou da oferta e da procura, com a abertura de novas minas na China ou na Indonésia; 90% são pura especulação bolsista, como tal à mercê de crises como as que varreram os mercados de capitais da Ásia, da Rússia, do México ou da Argentina.
O governo PSD-PP quer entregar às leis selvagens do mercado o destino da principal empresa da nossa região, com mais de 700 postos de trabalho que o caderno de encargos permite despedir até 10% ao ano. Ou seja, em dez anos podem ser despedidos todos os trabalhadores, quando as reservas conhecidas em Neves Corvo vão, pelo menos, até 2030. No meio de tudo isto, soam ridículas as garantias contra a lavra gananciosa repetidas neste debate pelo governador civil e pelo representante do PSD, quando ela foi praticada mesmo quando o Estado detinha 51% do capital.
É urgente exigir a suspensão do contrato-promessa, quando a Eurozinc ainda não apresentou as garantias bancárias para a concretização do negócio. Mesmo que haja lugar a indemnizações, estas serão sempre um mal menor face ao verdadeiro crime de lesa-património público que está prestes a consumar-se. Face à habitual intransigência da direita no governo - patente no caso do aborto - é precisa a resistência e a união das populações, das autarquias e de todas as forças vivas da região, em solidariedade com os mineiros. Para prevenir um desastre social e ambiental como o da Mina de S. Domingos, é tempo de dizer BASTA!
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Alberto Matos - Crónica semanal na Rádio Pax - Beja - 09/03/2004
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sexta-feira, março 05, 2004
sexta-feira, fevereiro 27, 2004
quinta-feira, fevereiro 19, 2004
quarta-feira, fevereiro 18, 2004
As comparticipações em actos médicos da caixa teriam de tendecialmente aproximar-se das dos outros sub-sistemas de saúde, e para isso o governo decidiu baixar as comparticipações nos funcionários públicos-adse. É como querer aproximar a reforma mínima do salário mínimo optando por nunca aumentar este último. Há um abaixo-assinado de protesto para os funcionários públicos, se é o seu caso, está aqui
domingo, fevereiro 15, 2004
lembro-me do boião de cola nas mesas altas, a bic pendurada na ponta de um cordel, entretanto fizeram obras nestes ctt para que ficasse mais feio e menos eficáz, depois de um ano a funcionar numa rulote perto da rotunda onde em tempos esteve uma praça de touros. Algumas coisas melhoraram, as máquinas de selos com balanças, agora tiramos uma senha e vamos tomar café enquanto as 50 pessoas à nossa frente são atendidas, depois contornando o expositor da optimus e a máquina das coca-colas, um vislumbre rápido ao quadro vermelho onde passam os valores da bolsa dos ppr`s chegamos ao balcão onde está por vezes o sorriso que sobrevive ao contrato precário, ao trabalho que antes era feito com mais três colegas e lembro-me do chefe da estação a recomendar envelopes.
terça-feira, fevereiro 10, 2004
sexta-feira, fevereiro 06, 2004
No filme 10 de Kiarostami uma das personagens mulheres rapa o cabelo escondido pelo lenço como forma de luto por um desgosto amoroso, a avó de um amigo havia feito o mesmo 70 anos antes de fugir para Lisboa desse desencontro com o amor. Aquiles arrancava os cabelos enraivecido pela dor da perda. Aos noviços dos templos budistas é cortado o cabelo logo no primeiro dia para que este não seja, como forma distintiva, um meio para a vaidade. Aos soldados e aos meninos piolhosos também. Que haverá de tão misterioso no cabelo que eu não possa resolver de vez numa das idas tortuosas ao cabeleireiro?
Numa entrevista feita por dois estudantes de cinema (José Neves e Lopes) a César Monteiro perto de 1997, exibida em bruto na Ler Devagar há uns tempos, perguntavam-lhe se ele tinha algum fetiche com a música pimba. Acho que o César Monteiro estava bem disposto e disse qualquer coisa parecida, numa cena de uma puta no palco do maxime`s faria mais sentido que Bruckner....mas pode-se dizer que sim, gosto. Gosto mais do Quim Barreiros do que dos Madredeus, pelo menos ele não anda a enganar ninguém!
Apoiado, antes a Ágata que Delfins, o original e honesto contra a recauchutagem desonesta.
Apoiado, antes a Ágata que Delfins, o original e honesto contra a recauchutagem desonesta.
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