a tinta, fresca ou nao, pode servir para colorir todos os muros da cidade, do suburbio, clandestina poe a prova mecanismos securitarios disfarcados de liberdade para acabar de vez com ela a_tinta@hotmail.com
terça-feira, fevereiro 10, 2004
sexta-feira, fevereiro 06, 2004
No filme 10 de Kiarostami uma das personagens mulheres rapa o cabelo escondido pelo lenço como forma de luto por um desgosto amoroso, a avó de um amigo havia feito o mesmo 70 anos antes de fugir para Lisboa desse desencontro com o amor. Aquiles arrancava os cabelos enraivecido pela dor da perda. Aos noviços dos templos budistas é cortado o cabelo logo no primeiro dia para que este não seja, como forma distintiva, um meio para a vaidade. Aos soldados e aos meninos piolhosos também. Que haverá de tão misterioso no cabelo que eu não possa resolver de vez numa das idas tortuosas ao cabeleireiro?
Numa entrevista feita por dois estudantes de cinema (José Neves e Lopes) a César Monteiro perto de 1997, exibida em bruto na Ler Devagar há uns tempos, perguntavam-lhe se ele tinha algum fetiche com a música pimba. Acho que o César Monteiro estava bem disposto e disse qualquer coisa parecida, numa cena de uma puta no palco do maxime`s faria mais sentido que Bruckner....mas pode-se dizer que sim, gosto. Gosto mais do Quim Barreiros do que dos Madredeus, pelo menos ele não anda a enganar ninguém!
Apoiado, antes a Ágata que Delfins, o original e honesto contra a recauchutagem desonesta.
Apoiado, antes a Ágata que Delfins, o original e honesto contra a recauchutagem desonesta.
quarta-feira, fevereiro 04, 2004
José Álvaro Morais
um peixe na Lua.
da terrível presença
Eu quero que a água fique sem álveo.
Eu quero que o vento fique sem vales.
Quero que a noite fique sem olhos
e meu coração sem a flor do ouro;
que os bois falem com as enormes folhas
e a minhoca agonize de sombra;
que reluzam os dentes da caveira
e os torpores do sirgo inundem a seda.
Posso ver o duelo da noite ferida
a lutar enroscada com o meio-dia.
Suporto um ocaso de verde veneno
e os arcos partidos onde sofre o tempo.
Mas não ilumines teu puro corpo nu
como um negro cacto coberto nos juncos.
Deixa-me uma ânsia de escuros planetas,
mas não me mostres tua cintura fresca.
Federico García Lorca
um peixe na Lua.
da terrível presença
Eu quero que a água fique sem álveo.
Eu quero que o vento fique sem vales.
Quero que a noite fique sem olhos
e meu coração sem a flor do ouro;
que os bois falem com as enormes folhas
e a minhoca agonize de sombra;
que reluzam os dentes da caveira
e os torpores do sirgo inundem a seda.
Posso ver o duelo da noite ferida
a lutar enroscada com o meio-dia.
Suporto um ocaso de verde veneno
e os arcos partidos onde sofre o tempo.
Mas não ilumines teu puro corpo nu
como um negro cacto coberto nos juncos.
Deixa-me uma ânsia de escuros planetas,
mas não me mostres tua cintura fresca.
Federico García Lorca
quinta-feira, janeiro 29, 2004
quarta-feira, janeiro 28, 2004
João César Monteiro, como outros, dizia o público que se lixe. O público aqui não é o outro, o interlocutor, razão sem a qual a arte não acontecia uma vez que comunicação é ingrediente indissociável. O público aqui é o número. A estatística. Os segmentos de mercado a,b,c. O cliente, o consumidor, o contribuinte. E a esse como é óbvio o artista nada tem a dizer.
sexta-feira, janeiro 23, 2004
domingo, janeiro 18, 2004
o suicídio é proibido não se conhecendo nenhum castigo para os infractores, com ou sem sucesso, o capacete na cabeça de quem conduz motociclos é obrigatório porque o Estado zela pela vida dos seus, deve o Estado zelar pela vida que é criada no corpo de outra vida, deve exigir a este a anulação da sua autonomia? O Estado exige cidadãos autónomos, responsáveis pelos seus actos, base sem a qual não havia o Direito, sobre o qual aquele assenta. Alienar o corpo da mulher à decisão do Estado sobre a sua reprodução é retirar-lhe direitos que lhe conferem, neste sentido, o exercício (pleno, como se ouve dizer) da cidadania. Resquícios do patriarcado que de forma subterrânea estão na base e moldam grande parte das discussões e argumentos que se têm lido.
Lembrando-me do padre Mário de Oliveira, Deus não exige que o seu povo seja obediente a ordens que não deu, Deus exige do crente que aja em consciência.
Lembrando-me do padre Mário de Oliveira, Deus não exige que o seu povo seja obediente a ordens que não deu, Deus exige do crente que aja em consciência.
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