quarta-feira, janeiro 28, 2004

menções honrosas
óscares para 2003


João César Monteiro, como outros, dizia o público que se lixe. O público aqui não é o outro, o interlocutor, razão sem a qual a arte não acontecia uma vez que comunicação é ingrediente indissociável. O público aqui é o número. A estatística. Os segmentos de mercado a,b,c. O cliente, o consumidor, o contribuinte. E a esse como é óbvio o artista nada tem a dizer.

sexta-feira, janeiro 23, 2004



Hoje foi um passo, não um fim. A maior greve de sempre na Administração Pública. Regime tem de renegociar e recuar na senda de destruição da justiça, do ensino, da saúde, da segurança social.

domingo, janeiro 18, 2004

o suicídio é proibido não se conhecendo nenhum castigo para os infractores, com ou sem sucesso, o capacete na cabeça de quem conduz motociclos é obrigatório porque o Estado zela pela vida dos seus, deve o Estado zelar pela vida que é criada no corpo de outra vida, deve exigir a este a anulação da sua autonomia? O Estado exige cidadãos autónomos, responsáveis pelos seus actos, base sem a qual não havia o Direito, sobre o qual aquele assenta. Alienar o corpo da mulher à decisão do Estado sobre a sua reprodução é retirar-lhe direitos que lhe conferem, neste sentido, o exercício (pleno, como se ouve dizer) da cidadania. Resquícios do patriarcado que de forma subterrânea estão na base e moldam grande parte das discussões e argumentos que se têm lido.

Lembrando-me do padre Mário de Oliveira, Deus não exige que o seu povo seja obediente a ordens que não deu, Deus exige do crente que aja em consciência.

quinta-feira, janeiro 15, 2004

domingo, janeiro 11, 2004

Terrorismo
mais uma estreia de um texto dramatúrgico no país. Encenado e editado pelos Artistas Unidos. Em boa hora este grupo encontrou (por enquanto) casa no municipal Taborda. Em boa hora trouxeram sangue fresco à companhia para este genial elenco. Um texto muito bom. Uma encenação pouco ousada, talvez porque Jorge Silva Melo seja contrário à ideia de haver Um Encenador.
Tragam mais presniakov`es. Bravo!

terça-feira, dezembro 30, 2003

A casa está vazia. Alguns vasos no parapeito da janela da marquise. Lá fora uma planta deu flores ao fim de vinte anos. Vinte anos depois de fechada na modernidade dos apartamentos suburbanos. A nossa modernidade será fugir para de onde os nossos pais fugiram em busca dela.

A nossa modernidade terá acabado nesta cidade grávida de espectáculo. Quando continuam a ereger torres no alto das colinas, no alto de outras torres, se não vierem aviões elas cairão sozinhas sobre o rio. A paisagem linda da janela nos dai hoje enquanto vivemos com as bombas dos outros com os terramotos dos outros com a morte dos outros.

quinta-feira, dezembro 18, 2003

Audiência/ Vernissage/
Apresentadas pela primeira vez em Portugal, as peças giram em torno dos direitos humanos, da liberdade e da inquietude em busca de novos ideais. De 5 a 28 de Dezembro no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa.
PUBLICO.PT

ACTORES
António Banha, Júlio Martin, Maria Amélia Matta, falta aqui1
AUTOR
Václav Havel, ex-presidente da República Checa
CENÓGRAFA Joana Matos ENCENADOR Jorge Listopad

dois textos que são um só apropriados para tempos que correm.
Se bem que é provável que não toquem em quem deviam tocar, estamos em anestesia dura, por isso as estantes em mogno ou a tão esperada ida a uma praia paradisíaca acabem por toldar a vista e são sempre um lugar mais seguro que este onde vivemos.
nem tudo boas interpretações, nem todas as escolhas de meios satisfatórias para o despojamento ou a simplicidade cénica que parece ser impossível no nacional.
um texto ou dramaturgia que podia ter desenvolvido mais os aspectos psicológicos das personagens e da situação(em que cairam? optaram?) com excepção para a do escritor (o próprio václav havel?)